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Banjo Novo estreia no Carnaval de Salvador

Movimento participa pela primeira vez da folia momesca, na sexta-feira (13/2), no Circuito Campo Grande, reforçando encontros, ancestralidade e fé

Pela primeira vez, o Movimento Banjo Novo participa do Carnaval de Salvador e escolhe um palco carregado de simbolismo para essa estreia: o desfile do Bloco Alvorada, no Circuito Campo Grande, na sexta-feira, dia 13 de fevereiro. Em um encontro que une samba, tradição, religiosidade, ancestralidade e fé, o projeto se soma a um ritual que, há mais de 50 anos, transforma a sexta-feira de Carnaval em um ato coletivo de resistência e celebração da cultura negra.

Criado como um movimento que conecta pessoas e promove encontros em ambientes saudáveis, o Banjo Novo chega à maior festa popular do país em sintonia com a história do Alvorada, bloco que em 2026 celebra 51 anos de trajetória. A participação acontece em um ano ainda mais especial: o desfile presta homenagem aos 100 anos de Nengua Guancecesse, do Terreiro Bate Folha, referência fundamental na preservação dos saberes e da fé nos Nkissis.

“Quando a tradição encontra o presente, não é novidade, é continuidade. O novo não apaga a história. Caminha com ela”, afirma Samora Lopes, diretor do Bloco Alvorada e um dos idealizadores do Banjo Novo. Para ele, a presença do movimento no desfile amplia os sentidos já consolidados pelo bloco. “O Alvorada se tornou ancestral porque carrega à frente três elementos fundamentais: samba, fé e ancestralidade, construídos ao longo de mais de cinco décadas. Dividir esse momento com o Banjo Novo potencializa ainda mais essa força”, celebra.

Mais do que uma banda, o Banjo Novo se define como um organismo vivo, formado por diferentes elementos simbólicos e humanos. A proposta nasce do afeto, da troca e do desejo de pensar uma Salvador negra que honra o passado, mas projeta o futuro. “O Banjo Novo não é só um grupo de samba; a banda é apenas um dos componentes que simboliza algo muito maior”, explica Igor Reis, que comanda o projeto ao lado de Samora. “Ele é feito das quartinhas, das pitangas, dos clarins do banjo, das pessoas vestidas de branco, da ancestralidade que sustenta tudo isso. É feito também do público cantando junto”, destaca.

Segundo Igor, aceitar o convite para subir no trio e participar do Carnaval é coerente com a essência do movimento. “Estar no Carnaval é dar continuidade à ideia de ser um movimento, criar novos diálogos, ocupar novos espaços e reafirmar que é possível viver a festa a partir de encontros saudáveis, potentes e cheios de significado”, afirma. A estreia do Banjo Novo no Carnaval de Salvador, ao lado do Bloco Alvorada, surge como continuidade de uma história que se renova a cada ano, mantendo vivos o samba, a fé e a ancestralidade que sustentam a cidade e sua gente.

Foto: Sobral Mídia