Campeã brasileira de torrefação, a Do Coado ao Espresso (DCAE) inaugura oficialmente no próximo dia 3 de março (terça-feira) sua primeira cafeteria em Salvador, no bairro da Pituba. O espaço já vinha funcionando em fase de testes, de forma discreta, na Rua das Hortênsias, nº 776, e agora abre as portas ao público, consolidando a Bahia no mapa nacional dos cafés especiais.
Comandada pelos baianos Flávio Camargos, Matheus Maciel e Nayara Chaves, a marca conquistou, em novembro do ano passado, o título de Torrefação do Ano do Brasil durante a final realizada na SIC – Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte, maior feira do setor no país. A competição reuniu 137 torrefações de todo o Brasil, com resultado definido por júri técnico especializado.
A premiação impulsionou a abertura da primeira loja física da empresa, com projeto arquitetônico assinado por Kaline Macêdo, com engenharia de Rafael Lordelo. A proposta da cafeteria é dupla: ser ponto de encontro para quem busca cafés de altíssima qualidade e funcionar como ambiente de formação e conscientização sobre o universo do café especial, com cursos, degustações e explicações sobre métodos, origens, processos e características sensoriais da bebida.
Do Direito à torra perfeita – Mestre de torras, Q-Grader (certificação internacional de classificação e avaliação de cafés) e Barista SCA, Flávio deixou a advocacia para se dedicar integralmente ao café. A relação com a bebida começou de forma inesperada, em uma reunião profissional. “Foi amor ao primeiro gole. Descobri um café que não era amargo, que tinha acidez e sabor. Nada do líquido preto e açucarado que eu conhecia”, lembra.
Durante a pandemia, passou a torrar em casa como hobby, junto com Matheus, e a vender pequenos lotes para amigos. A aceitação levou à profissionalização do negócio no fim de 2020, com cursos de torra, barismo, degustação e educação sensorial, além de viagens para conhecer produtores e entender toda a cadeia produtiva. Hoje, ele atua na curadoria e na elaboração de perfis de torra tanto para a marca própria quanto para produtores e marcas terceirizadas.

Na operação da cafeteria, Nayara Chaves é a responsável pela área gastronômica. Com especialização em confeitaria, ela se formou com nomes reconhecidos do mercado nacional e assina o cardápio de sobremesas e acompanhamentos, criando harmonizações com os cafés da casa. Entre as opções doces estão bolo de limão com cream cheese, Devil’s Cake, cheesecake com geleia de morango, banoffee e bolo de nozes com geleia de damasco e brigadeiro de especiarias. Nas opções salgadas, assinadas pelo chef consultor Calvin Coelho, o menu inclui opções como o steak tartare e o sanduíche de porco com barbecue de café.
Já Matheus Maciel é o sócio responsável pela operação do dia a dia, atuando diretamente na logística, no controle do sistema integrado e na gestão financeira. Presente no lobby, acompanha de perto a rotina da casa, recepcionando clientes e garantindo que cada etapa funcione com organização, eficiência e hospitalidade.
A torrefação trabalha com cerca de 90% do portfólio composto por cafés baianos, oriundos de regiões como Chapada Diamantina, Planalto da Conquista e Serra dos Morgados, além de manter parcerias com pequenos produtores, alguns em escalas próximas à agricultura de subsistência.

Segundo Flávio, o propósito da marca é unir rigor técnico e valorização da cadeia produtiva. “Sempre busco cafés que reflitam meu estudo, minha qualificação e a excelência que nossos clientes já reconhecem”, reforça o torrefador.
Para o trio de sócios, a chegada ao espaço físico representa uma virada simbólica para a torrefação. “É uma sensação mista de orgulho e desafio. Orgulho pela consolidação da marca e desafio porque ainda temos muito a ensinar. É apenas o começo”, determina Flávio, que enxerga o café como impacto social, mais do que negócio. “O café representa esperança. Esperança de mudar a vida de produtores, apanhadores, torrefações e cafeterias. O café transforma”, afirma.

Fotos: Divulgação











