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“Volta no Dique” reúne grande público e marca a festa do aniversário de Salvador

MUDEIdeNOME garante a celebração mesmo sob chuva e mantém o Dique do Tororó tomado pela Pipoca do Mudei

Nem a forte chuva que atingiu Salvador neste domingo (29/3) afastou o público da 9ª edição da “Volta no Dique”. O evento voltou a ocupar o entorno do Dique do Tororó com música, identidade baiana e forte presença nas ruas, consolidando mais uma edição marcada pela energia coletiva.

Comandado pelo Movimento Musical MUDEIdeNOME, formado por Ricardo Chaves, Magary Lord, Jonga Cunha e Ramon Cruz, o desfile aconteceu em trio pranchão, sem cordas, reforçando a proposta democrática e a proximidade com o público. Ao longo do percurso, clássicos do axé como “O Bicho”, “Bota pra Ferver”, “Auê”, “Prefixo de Verão”, “Chame Gente”, “Inventando Moda” e “Eva” embalaram quem acompanhou o cortejo, mantendo o clima de festa do início ao fim.

Para Ricardo Chaves, um dos idealizadores do projeto, a essência segue intacta. “É a nona edição aqui desse evento que já entrou no calendário das comemorações do aniversário de Salvador. E é importante porque, quando a gente surgiu, a intenção era resgatar a rua. Fazer isso nesse lugar, que tem tanta história para a cidade, é muito bacana. Independente de chuva, neve, o que venha, a alegria do Mudei vai estar presente sempre. O evento é tão bom que São Pedro quer participar também. Lava a alma da galera e a gente só vai ser a trilha sonora desse momento”, afirmou.

Na mesma linha, Jonga Cunha destaca a trajetória do grupo e a conexão com a cultura baiana. “Para mim, é a consolidação de um nome, de um grupo que há muitos anos faz festa em Salvador, com respeito ao movimento Axé, e todos com uma carreira muito longa. Existe a consciência de que a festa na Bahia, com a música e o pranchão, vai além de qualquer condição. As pessoas gostam da rua, dessa energia, e a gente fica muito orgulhoso de reunir essa galera, que não recua, que vem, dança e celebra. No fim, é uma felicidade enorme ver o Mudei de Nome, a Volta no Dique e o pranchão como marcas construídas com tanta força.”

Para Magary Lord, o momento teve um significado ainda mais especial ao passar pela Ladeira da União, no Engenho Velho de Brotas, onde viveu. “Passar por onde eu morei tem uma energia, uma sensação única. Dessa vez, foi ainda mais forte por ser o aniversário da cidade e o meu também. É muito importante reencontrar os amigos das antigas, ver a galera reunida. Estou muito feliz. A chuva foi um desafio hoje, mas também mostrou o quanto a gente é querido e quantas pessoas acompanham e curtem o nosso trabalho.”

Entre os presentes, o sentimento era de celebração e pertencimento, mesmo diante do tempo instável. Muitos destacavam que o clima não diminuiu o entusiasmo e que a experiência de acompanhar o desfile seguia valendo a pena. Havia quem acompanhasse o projeto desde as primeiras edições e reforçasse o compromisso de estar ali todos os anos, especialmente em uma data simbólica para a cidade. Para outros, a combinação entre música, rua e encontro coletivo traduzia o espírito de Salvador, mantendo a energia do início ao fim.

Encerrando o percurso em clima de emoção, público e artistas se uniram em um grande coro de “Baianidade Nagô” e “Faraó”, reforçando a conexão entre a música baiana e a identidade da cidade.

A 9ª edição da “Volta no Dique” reafirma o lugar do evento entre os principais momentos das comemorações de Salvador, mostrando que, mesmo sob chuva, a cidade segue ocupando as ruas com música e participação popular.

Fotos: Bruno Concha